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Alterações Climáticas: O desafio de uma resposta global em nome do Planeta Azul

  • Foto do escritor: Tiago Imaginário Jesus
    Tiago Imaginário Jesus
  • 24 de abr. de 2022
  • 6 min de leitura

Atualizado: 12 de jul. de 2025

A última década foi a mais quente jamais registada.


Foto: Unsplash
Foto: Unsplash

As alterações climáticas são uma mudança significativa e duradoura na distribuição estatística dos padrões meteorológicos. Podem acontecer no de decorrer de décadas a milhões de anos.


Manifestam-se em mudanças nas condições meteorológicas médias, como a data média de início da estação chuvosa nos trópicos, ou em mudanças na ocorrência mais frequente de acontecimentos climáticos extremos como incêndios, secas e tempestades.


Desde meados dos anos 1900, as temperaturas médias globais têm aumentado, de acordo com o que documentam muitos estudos. Conhecemo-lo como aquecimento global, e de acordo com a comunidade científica internacional é o evento climático causado por diversas atividades humanas, diretamente ligadas às emissões de CO2 para a atmosfera terrestre através da queima de combustíveis fósseis.


O relatório especial sobre o aquecimento global de 1,5 oC do IPCC, - The Intergovernmental Panel on Climate Change, o órgão das Nações Unidas para avaliar a ciência relacionada às mudanças climáticas – divulgado em 2018, tornou evidente que as atividades humanas já tiveram um grande impacto nas temperaturas globais e que continuam a aumentar.


Consequências Globais


As alterações climáticas não afetam apenas o ambiente, mas, também, diretamente áreas como a economia e saúde, com impactos diversos e diretos nas nossas comunidades.


A principal causa das alterações climáticas é a combustão de combustíveis fósseis como o petróleo, o carvão e o gás natural, que emitem gases com efeito de estufa para a atmosfera. Estes gases captam o calor na atmosfera - impacto também de outras atividades humanas como a agricultura – e resultam no conhecido efeito de estufa.


A temperatura média do nosso planeta, sem o efeito de estufa, seria de -18 °C. Muitos são os compromissos internacionais para redução de emissões, mas o nível de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera continua a aumentar e, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial, bateu o máximo em 2019 (quase +150 % em relação a 1750).


A comunidade científica, num sério alerta aos países, avisa que se não forem feitas significativas mudanças para manter o aumento da temperatura global abaixo de 1,5 °C, os resultados serão catastróficos.


Algumas consequências que constam do relatório especial do IPCC, que surgiu com intenção de a ONU apresentar um parecer científico das consequências de cenários de temperatura mais elevada, são:

  • Aumento do nível do mar devido à expansão da água a temperaturas mais quentes e ao descongelamento dos glaciares.

  • Aumento da intensidade e frequência de extremos climáticos como furacões, inundações, secas e tempestades.

  • Aumento da escassez de água em algumas áreas levando à desertificação e diminuição da produção agrícola.

  • A acidificação dos oceanos que diminui o rendimento da indústria pesqueira e destrói os recifes de coral.

  • Perda de habitat devido às mudanças climáticas mais rápidas do que a capacidade das espécies se adaptarem. Ou seja, perda de espécies, de biodiversidade e desequilíbrio dos ecossistemas.

Nos dias de hoje, 31% das emissões globais de gases com efeito de estufa são criadas durante a produção de calor e eletricidade, de acordo com o Center For Climate And Energy Solutions.


Capacidade nacional – numa Europa cada vez mais quente


Portugal encontra-se entre os países europeus com maior vulnerabilidade às alterações climáticas devido às características geográficas.

“quem tem de se adaptar são os humanos, não a Terra.” Ministro do Ambiente, em conferência a propósito das alterações climáticas

Em praticamente toda a Europa, as temperaturas em Fevereiro deste ano, no geral, em maioria, mais elevadas do que a média para este mês entre 1991 e 2020, de acordo com a com a informação divulgada pelo Serviços de Alterações Climáticas Copernicus (C3S), da União Europeia, no seu boletim mensal.


Segundo uma análise da Deco, replicada pelo jornal Público, em Portugal mais de 200 autarquias não estão preparadas para enfrentar alterações climáticas. A Deco, refere ter analisado as medidas para enfrentar as alterações climáticas dos 308 municípios e concluiu que 55 não têm nenhum plano de adaptação e 227 não estão preparados.


Portugal, no que diz respeito às políticas climáticas e referentes às energias renováveis, encontra-se em 16.º lugar, no grupo de países mais bem colocados no Índice de Desempenho das Alterações Climáticas 2022 e com uma classificação baixa na categoria da emissão dos gases de efeito estufa. No que diz respeito às políticas climáticas nacionais, Portugal ficou com uma classificação considerada média, em 12.º lugar.


A União Europeia, de acordo com as suas leis, impôs a Portugal o objetivo de atingir zero emissões de carbono até 2050, o que não está a ser atingido na velocidade necessária.


Especialistas para o Índice de Desempenho das Alterações Climáticas, citados pelo Jornal de Notícias, apontam que a neutralidade de carbono não está a ser estabelecida em políticas setoriais ou metas. Acrescentam, ainda, que é crucial “estabelecer prazos concretos para eliminação gradual dos subsídios aos combustíveis fósseis” – que têm fim previsto até 2030 na nova aprovada Lei do Clima.


Educação Climática – mobilização da geração do futuro

“Nas aulas até se fala das alterações climáticas, mas quase nunca como sendo um problema”

Quatro alunos relataram ao Jornal Público, num trabalho recente da Jornalista Clara Viana, o que se pensa, diz e faz nas escolas quando o tema é a transformação climática.

Rachel Rodrigues, uma das jovens entrevistadas, que acabou o secundário no ano passado em Faro, revelou que a diretora de uma escola de Quarteira nunca autorizou a que afixassem cartazes da Greve Climática Estudantil.


Rachel Rodrigues, uma das jovens entrevistadas, que acabou o secundário no ano passado em Faro, revelou que a diretora de uma escola de Quarteira nunca autorizou a que afixassem cartazes da Greve Climática Estudantil.

Outros jovens relevam ter tido um professor de Geografia “negacionista”, que negava a existência de um problema chamado alterações climáticas numa das disciplinas que deverá abordar o tema ni seu currículo. Mas,

Há professores que procuram formação extra no domínio das alterações climáticas e que às vezes me dão palco para expor o problema, as suas implicações e bases científicas, de modo a também obterem mais informação e consciencializar os outros alunos” – Sofia Morgado, aluna, ao Jornal Público

O presidente do Conselho Nacional de Juventude, Rui Oliveira, acredita que esta é a “geração que mais se preocupa”. Para o presidente do conselho“Os jovens não estão desligados da política”, mas defende que a falta de representação política faz com que a crise climática não chegue aos locais de decisão.


Em todo o mundo, os jovens vão se insurgindo contra as alterações climáticas, existe uma mobilização juvenil pela defesa do planeta, para que seja possível evitar crises ambientais.

Os jovens ativistas, falam em passividade e conivência política com práticas pouco sustentáveis que têm consequências diretas no ambiente e a longo prazo nas suas vidas e das gerações seguintes. Apesar da ineficácia de atuação dos governos e da pouco representatividade política que refere Rui Oliveira, as novas gerações têm ao seu lado a comunidade científica que de forma constante vai alertado o mundo de que estamos a atingir um ponto sem retorno para o clima.


Greta Thunberg, jovem ativista ambiental, é o rosto visível desta geração de protesto pelo clima e reflete sobre o ensino e o futuro do planeta:

«Por que razão devo continuar a estudar por um futuro que em breve poderá não existir mais, quando ninguém está a fazer nada para salvar esse futuro? E do que vale aprender factos quando os factos mais importantes não significam claramente nada para a nossa sociedade»Greta Thunberg

Os jovens são hoje verdadeiros changemakers e exigem transformações de grande escala para dar uma resposta eficaz à crise climática, por exemplo, aumentado o ritmo das medidas de redução das emissões de gases com efeito de estufa, impedindo os investimentos em combustíveis fósseis, protegendo a biodiversidade e recuperando os ecossistemas.


E de facto, percebemos isso olhando para os dados do Global Entrepreneurship Monitor de 2019, o maior inquérito mundial na área do empreendedorismo, que revelam que 3.2% da população portuguesa em idade ativa está a lançar organizações de missão social.


A maioria destses jovens potenciais empreendedores sociais são jovens que procuram desenvolver uma carreira que alie a sustentabilidade económica a uma vida com significado e impacto através da inovação ao serviço da sociedade. Destes, 60% desenvolvem modelos com algum grau de inovação um terço estão a desenvolver ofertas com viabilidade comercial, mas assumindo uma missão social.

São, não só a geração do futuro, como os conhecemos no espaço mediático, mas, essencialmente, são o futuro do Planeta.


Texto de Tiago Imaginário Jesus


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